quarta-feira, 27 de maio de 2026

Quando tudo vem a tona



Na cidade de Pedra Clara, onde nada de muito extraordinário costumava acontecer, vivia um jovem chamado Artur. Ele era o tipo de pessoa que passaria despercebida até mesmo em um espelho. Sempre de cabeça baixa, voz quase inaudível, e uma habilidade impressionante de evitar qualquer tipo de atenção.
Mas Artur tinha um segredo.
Um segredo estranho. Um segredo inconveniente. Um segredo… útil?
Ele conseguia vomitar quando quisesse.
Não era algo fora de controle. Pelo contrário. Era preciso, calculado, quase artístico. Se alguém perguntasse como ele descobriu aquilo, provavelmente ele ficaria vermelho e sairia correndo — o que, aliás, era exatamente o que ele fazia na maioria das situações sociais.
A descoberta aconteceu aos 12 anos, durante uma apresentação escolar. Tremendo de nervoso, ele sentiu aquele velho embrulho no estômago… mas, ao invés de fugir, algo diferente aconteceu. Ele simplesmente… decidiu.
E pronto.
Um jato certeiro.
A turma inteira entrou em pânico. A professora gritou. E Artur, humilhado, correu para casa.
Mas, com o tempo, ele percebeu: aquilo não tinha sido acidente. Ele tinha controle.
E, desde então, praticou — sempre escondido, sempre em segredo. Descobriu que podia ajustar intensidade, direção, até o momento exato. Era, sem dúvida, o pior — e mais incrível — “superpoder” que alguém poderia ter.
A vida de Artur seguiu tranquila até os 19 anos, quando algo mudou em Pedra Clara.
Uma série de pequenos crimes começou a acontecer: furtos, invasões, confusões estranhas. Nada muito grande… mas o suficiente para deixar todos inquietos. O detalhe mais curioso? Os criminosos sempre escapavam.
Sempre.
E foi aí que, por um acaso improvável, Artur se envolveu.
Era uma tarde comum. Ele estava na fila de uma padaria, tentando decidir se teria coragem de pedir um pão na chapa sem gaguejar, quando dois homens encapuzados entraram correndo.
— Todo mundo parado!
Artur congelou.
O coração disparou. As mãos suaram. O velho conhecido embrulho no estômago apareceu.
Um dos assaltantes passou por ele, empurrando-o.
E então… Artur pensou.
“Agora.”
Sem fazer alarde, sem gritar, sem heroísmo — apenas um leve movimento.
O resultado foi… devastador.
O assaltante levou um jato direto no rosto. Um impacto tão inesperado, tão absurdo, que ele simplesmente parou, em choque. O outro ficou paralisado, sem entender o que estava acontecendo.
A padaria inteira ficou em silêncio.
Artur também.
Mas, pela primeira vez na vida… ninguém estava olhando para ele com julgamento.
Estavam olhando com espanto.
E talvez… um pouco de admiração.
Nos dias seguintes, a história se espalhou pela cidade. “O garoto do vômito justiceiro”, chamavam. Artur odiava o nome, mas não podia negar: algo tinha mudado.
Ele começou a perceber que seu “dom” podia ser útil.
Não bonito. Não elegante.
Mas útil.
Com o tempo, passou a agir nas sombras — sempre com vergonha, sempre evitando reconhecimento. Ele aparecia quando alguém menos esperava, resolvia a situação do jeito mais… peculiar possível, e desaparecia.
Era caótico. Era estranho.
Mas funcionava.
Criminosos passaram a temer algo que não conseguiam prever. Como se defender de alguém que não luta, não corre, não grita… apenas decide?
Certa noite, porém, Artur encontrou seu maior desafio.
Um homem conhecido como “O Impecável” — um criminoso obcecado por controle, limpeza e perfeição. Tudo nele era calculado, organizado, impecável.
Quando soube do tal “justiceiro do vômito”, ele ficou intrigado.
E irritado.
— Isso é uma afronta à ordem — disse ele, ajustando suas luvas perfeitamente alinhadas. — Algo tão… desorganizado… não pode existir.
O confronto era inevitável.
Quando finalmente se encontraram, em um galpão vazio, Artur estava tremendo mais do que nunca.
— Você… é o cara…? — perguntou, quase sussurrando.
— E você é uma aberração — respondeu O Impecável, com desprezo.
Artur sentiu o estômago revirar.
Mas, dessa vez, não era só nervosismo.
Era decisão.
O Impecável avançou, rápido, preciso, calculado.
Artur fechou os olhos por um segundo.
E então…
“Agora.”
O que aconteceu em seguida foi tão inesperado, tão caótico, tão absolutamente fora de qualquer padrão lógico… que o sistema inteiro do adversário simplesmente colapsou.
O Impecável, incapaz de lidar com o imprevisto, entrou em pânico.
E foi derrotado.
Naquela noite, Artur percebeu algo importante.
Seu poder não era bonito. Não era digno de histórias clássicas. Não era o tipo de coisa que alguém escolheria.
Mas era dele.
E, de um jeito estranho… era suficiente.
Ele nunca deixou de ser tímido. Nunca virou alguém confiante ou falante.
Mas, quando precisava… ele agia.
Sem discursos.
Sem pose.
Só… decisão.
E, em Pedra Clara, onde nada extraordinário costumava acontecer, todos passaram a dormir um pouco mais tranquilos.
Mesmo que ninguém jamais admitisse o motivo.
Afinal…
Como explicar que o herói da cidade era um garoto que vencia batalhas do jeito mais improvável possível?
Artur também não sabia.
Mas, no fundo, ele achava graça.
E isso já era um grande começo.

(Criado com ajuda de IA)

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Mulher que tinha as mãos ardentes


Na cidade pequena demais para guardar segredos, Clara era conhecida pelas suas mãos.
Diziam que eram quentes demais.
Alguns diziam que era imaginação. Outros juravam que sentiam o calor antes mesmo do toque.
Clara não sabia explicar.
Na verdade, evitava pensar nisso.
Pensar tornava tudo concreto demais.
E coisas concretas têm consequências reais.
Ela descobriu aos doze anos.
O irmão mais novo ardia em febre. O quarto parecia pesado com o calor do corpo dele. A mãe chorava na cozinha, o pai se apressava para pegar o carro e enfrentar a estrada escura até o hospital da cidade vizinha.
Clara sentou ao lado da cama.
Colocou as mãos na testa do menino.
Lembrou, anos depois, que não havia pedido nada a Deus.
Apenas desejou que aquilo parasse.
Na manhã seguinte, o menino corria pelo quintal.
Clara passou cinco dias queimando em febre.
Demorou para entender.
Quando finalmente entendeu, não contou a ninguém.
Não era dom, era troca.
No entanto, as pessoas descobrem rápido demais quando algo pode salvá-las.
Primeiro veio a vizinha com uma dor que não passava.
Clara segurou as mãos dela.
Naquela noite, o calor voltou.
Depois veio um homem com dificuldade para respirar.
Depois uma criança com manchas na pele.
Depois outros.
Sempre outros.
E sempre da mesma forma.
Eles chegavam carregando dor.
Saíam mais leves.
Clara ficava.
No começo, havia algo quase reconfortante nisso.
Quando alguém saía aliviado, olhava para ela com gratidão profunda. Como se tivesse devolvido algo precioso ao mundo.
Esses olhares aqueciam mais do que qualquer febre.
Mas a febre vinha também.
Com o tempo, as batidas na porta começaram a se tornar parte do dia.
Três batidas.
Às vezes quatro.
Às vezes no meio da madrugada.
Clara começou a acordar antes mesmo de abrirem a porta. O corpo parecia reconhecer o peso que estava chegando.
Ela passou a observar as próprias mãos.
Às vezes ficava longos minutos olhando para elas, como se tentasse entender por que tinham se tornado tão importantes para todos — e tão pesadas para ela.
As doenças começaram a demorar mais para ir embora.
Algumas deixavam marcas pelo seu corpo.
Cansaço que não desaparecia.
Respiração curta.
Uma sensação constante de calor debaixo da pele.
Clara começou a esquecer como era o corpo antes disso tudo.
Mesmo assim, continuavam vindo.
Porque sempre há alguém doente.
Sempre há alguém desesperado.
E quando existe uma chance, por menor que seja, ninguém pensa muito sobre o custo.
Pensam apenas na possibilidade de continuar.
Em uma das noites, as batidas vieram mais fortes.
A porta abriu antes mesmo de terminarem.
Trouxeram uma menina.
Pequena demais para respirar com tanta dificuldade. O peito subia rápido, desesperado.
A mãe tremia.
O pai segurava a filha com força demais.
Clara sentiu o calor no próprio corpo antes mesmo de tocar nela.
Como se o corpo já soubesse.
Ela observou as próprias mãos por um instante.
Estavam tremendo.
Fazia semanas que respirar já não era simples.
O pai finalmente levantou os olhos.
— Eu sei que isso acaba com você.
A sala ficou silenciosa.
Ele parecia procurar outra frase, mas não encontrou.
Então disse a única que restava.
— Mas se fosse sua filha… você não tentaria?
Clara olhou para a menina.
Depois para os pais.
Depois para as próprias mãos.
E tocou.
A febre da criança desapareceu quase imediatamente.
A respiração desacelerou.
O corpo pequeno relaxou nos braços da mãe.
O alívio na sala veio como uma onda.
A mãe chorava agradecendo.
O pai abraçava a filha.
Ninguém percebeu quando Clara caiu.
Seu corpo não entrou em febre.
Não lutou.
Como se o calor tivesse finalmente encontrado onde ficar.
No enterro, disseram que ela tinha cumprido seu propósito.
Alguns falaram em milagre.
Outros falaram em destino.
A menina estava viva.
E isso parecia suficiente.
Meses depois, a menina corria pela praça.
Ria.
Aprendia coisas novas todos os dias.
Às vezes perguntava sobre a mulher na fotografia antiga da casa.
Os pais explicavam que alguém morreu para que ela vivesse.
Ela ficava em silêncio por alguns segundos.
Depois voltava a brincar.
Com o tempo, a casa de Clara foi vendida.
Pintaram as paredes.
Mudaram os móveis.
E ninguém mais falava muito sobre as mãos que um dia salvaram tanta gente.
Porque a vida exige continuidade.
E a humanidade sempre escolherá viver, mesmo que isso signifique consumir quem a sustenta.
O mundo não é cruel porque odeia os bons.
O mundo é cruel porque precisa deles.
E quando eles acabam…
procura outros.

(Criado com ajuda de IA)

sábado, 11 de janeiro de 2025

Poesia de amor


Olhos cor chocolate

Lábios de pêssego

Olhar que me enobrece de doçura,

Lábios doces de palavras carinhosas e sinceras

Na simplicidade dos atos entre nós nos encontramos e 

Achamos aquilo que não havíamos perdido

Confiando nas promessas daquEle que é maior do que nós,

Na construção de uma palavra pequena, mas poderosa

Que cada dia vai mostrando sua beleza e seus frutos 

Nascendo do olhar, do coração,

Gestos e atitudes

Pacientemente esperando um dia.… o grande dia...


Autor: Felipe Carvalho

sábado, 21 de dezembro de 2024

Quanto mais envelheço...

 


Quanto mais envelheço, mais vejo a alegria do mundo; Todas as criações de Deus e também as criações do homem. As criações da criação do Criador. Esse mesmo tempo em que envelheço também consigo observar a tristeza do mundo, pessoas ao meu redor morrendo, adoecendo, passando fome, pessoas que nunca mais existirão, pessoas que se foram e que irão em seguida. Meus pais, irmãs, amigos e conhecidos. Todos ao meu redor até que chegue a minha vez.

Os momentos em que sorrio de felicidade perto de pessoas especiais. Os momentos em que choro de tristeza perto e também longe de pessoas especiais. Na verdade, choro mais sozinho, porque sinto que ninguém mais compreende as minhas lágrimas. Dizem que nenhuma lágrima é igual a outra, elas são únicas, e em cada unidade, cada uma que se esvai dos meus olhos é um pouco a mais de mim que se vai também, perdidas pelo espaço e tempo dentro desse cosmos em que existimos.

Cada ação que tomamos ou deixamos te tomar são escritas no livro da vida, no tempo, na existência cósmica universal, nessa lei imutável que nos circunda.


Eu sou ANTIMATÉRIA

 


Eu sou antimatéria.

Sou um ser não existente. Algo incompreendido. Indefinido.

Minhas ações são inafiançáveis.

Estou preso dentro de mim, é uma prisão perpétua comigo mesmo.


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Modernidade

 

O nosso problema é que queremos curar os sintomas e não a ferida.

Ps.: Isso não é sobre machucados.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

CORAÇÃO DESCOLADO


Sinto que um pedaço meu descolou,
descolou do coração,
no fundo, lá dentro
não me reconheço mais, porque essa parte que saiu era eu.
Eu sai de mim mesmo.
Sinto que um pedaço meu descolou,
descolou do coração...

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

FERIDA

Aqui dentro tem uma ferida incurável,
uma dor latejante sinto dentro do meu ser,
como me esquecer, quem sou e quem fui.
Aqui dentro,
Aqui dentro, posso sentir,
Aqui dentro sou, uma ferida
Uma dor incurável
Uma ferida latejante
Não me esqueço,
Quem fui e quem sou.
Aqui dentro posso sentir.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Apaixonados

Que diariamente pudéssemos acordar com os sentimentos dos apaixonados,
Felizes,
Sorridentes,
Sentindo-se nas nuvens,
Talvez assim a escuridão desaparecesse e talvez tivéssemos alguma chance de continuarmos vivos, passando pelos próximos dias que virão, com certeza.

domingo, 10 de abril de 2022

Sorrisos

 

O sorriso que foi,
O sorriso que é
O sorriso que virá. Cola para os cacos, despedaçados ao chão, perdidos pelo tempo, escondidos pelo tapete.
Cura para o presente, cura para a indiferença, apenas CURA, ao coração e a alma.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Taça Quebradiça

 

 
 
Essa taça quebradiça, que apoiada por 3 dedos
Num lapso de descuido, se choca contra o chão.
Destrói-se em milhares de pedaços, alguns maiores, outros muito menores, ainda sim despedaçados ao chão, quebradiça, desmantelada, pisoteada.
Será que algum dia vão inventar uma forma de consertá-la? Juntá-la novamente?
Será que existe cola para a amizade?